quarta-feira, 10 de junho de 2020

Dia de Camões, Portugal 🇵🇹e Comunidades Portuguesas 🇵🇹


Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas celebra a data de 10 de Junho de 1580, data da morte de Camões e dia dedicado ao Anjo Custódio de Portugal. Este é também o dia da Lingua Portuguesa,  dos cidadãos e das Forças Armadas. 

Origens: 





A pedido do rei D. Manuel, o Papa instituiu em 1504 a festa do «Anjo Custódio do Reino» cujo culto já seria antigo em Portugal. 



Santo Anjo da Guarda de Portugal, Anjo Custódio de Portugal e Anjo da Paz) é uma das designações atribuídas a São Miguel Arcanjo que representa "Portugal", ou seja, a essência espiritual na figura de um arcanjo que protege a nação portuguesa.





Terá surgido pela primeira vez na batalha de Ourique e a sua devoção deu uma tal vitória às forças de D. Afonso Henriques sobre os invasores muçulmanos que lhe deu a oportunidade de autoproclamar-se rei de Portugal.






A primeira referência ao caráter festivo do dia 10 de junho é no ano 1880 por um decreto real de D. Luís I que declara "Dia de Festa Nacional e de Grande Gala" para comemorar apenas nesse ano os 300 anos da hipotética data da morte de Luís de Camões, 10 de junho de 158O.


Assim, e por iniciativa de afamados republicanos, a 10 de Junho de 1880 comemorou-se o tricentenário da morte de Camões, em grande parte muito devido a Teófilo Braga. A Comissão executiva do centenário, eleita pelos jornalistas e organizada por Latino Coelho, era composta por nove membros, todos eles homens de esquerda e republicanos, com excepção de Pinheiro Chagas. Foi através de Teófilo que a comissão conseguiu que um deputado do governo, Simões Dias, apresentasse ao parlamento um projecto para que o dia 10 de Junho fosse considerado de festa nacional. Ramalho Ortigão redigiu o programa de um cortejo simbólico, que representava o povo e as suas sucessivas conquistas de liberdade.


Lisboa
Festas Camonianas, 1880


O Camões das comemorações, mantendo a mitologia romântica, aparece com uma carga ideológica muito forte, que faz emergir o lado épico da história pátria para melhor acentuar o contraste com a decadência do então presente monárquico. 


Com o Estado Novo e até ao 25 de Abril de 1974, o 10 de Junho era conhecido como o Dia de Camões, de Portugal e da Raça, este último epíteto criado por Salazar na inauguração do  EstádioNacional do Jamor em 1944. 





A obra, à imagem e semelhança do grandioso estádio de Berlim de Hitler, ganhou contornos propagandísticos e durante os anos da ditadura recebeu sempre as cerimónias do Dia de Portugal. 

  




A partir de 1963, o 10 de Junho tornou-se numa homenagem às Forças Armadas Portuguesas, numa exaltação da guerra e do poder colonial.





Com uma filosofia diferente, a Terceira República converteu-o no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas em 1978.


E hoje? Amanhã? Qual será o caminho? 
O discurso proferido em 2019 por João Miguel Tavares nas cerimónias solenes deste dia, e com o qual acabamos, talvez nos aponte o caminho correto. É só ter coragem de o seguir...

 Partilhamos uma língua, um país com uma estabilidade de séculos, sem divisões, e é uma pena que por vezes pareçamos cansados de nós próprios. Tivemos História a mais; agora temos História a menos. Passámos da exaltação heróica e primária do nosso passado, no tempo do Estado Novo, para acabarmos com receio de usar a palavra “Descobrimentos”. Simplificamos a História de forma infantil.

No século XVI, Luís de Camões já cantava os seus amores por uma escrava de pele negra – tão bela e tão negra que até a neve desejava mudar de cor. Para desarrumar os estereótipos, talvez precisemos de um pouco menos de Lusíadas e de um pouco mais de lírica camoniana.

Menos exaltação patriótica e mais paixão por cada ser humano – eis uma fórmula que me parece adequada aos tempos que vivemos. Sendo já poucos os que acreditam nas grandes narrativas, continuamos a acreditar nas pessoas que temos ao nosso lado. 
E esse é o caminho para a identificação possível dos portugueses com Portugal.”



Endechas a Bárbara escrava

Aquela cativa
Que me tem cativo,
Porque nela vivo
Já não quer que viva.
Eu nunca vi rosa
Em suaves molhos,
Que pera meus olhos
Fosse mais fermosa.

Nem no campo flores,
Nem no céu estrelas
Me parecem belas
Como os meus amores.
Rosto singular,
Olhos sossegados,
Pretos e cansados,
Mas não de matar.

U~a graça viva,
Que neles lhe mora,
Pera ser senhora
De quem é cativa.
Pretos os cabelos,
Onde o povo vão
Perde opinião
Que os louros são belos.

Pretidão de Amor,
Tão doce a figura,
Que a neve lhe jura
Que trocara a cor.
Leda mansidão,
Que o siso acompanha;
Bem parece estranha,
Mas bárbara não.

Presença serena
Que a tormenta amansa;
Nela, enfim, descansa
Toda a minha pena.
Esta é a cativa
Que me tem cativo;
E. pois nela vivo,
É força que viva.

Luís Vaz de Camões 

terça-feira, 9 de junho de 2020

Parabéns “Portugal dos Pequenitos”!🎈👧🏻👶🎈



 Há 80 anos, a 8 de junho de 1940, era inaugurado o Portugal dos pequenitos. 
Situado em Coimbra, o Portugal dos Pequenitos é um parque lúdico-pedagógico destinado essencialmente à Criança.
Nascido pela mão de Bissaya Barreto e projetado pelo arquiteto Cassiano Branco, integra desde 1959 o património da Fundação Bissaya Barreto. É ainda hoje um referencial histórico e pedagógico de muitas gerações.
O Portugal dos Pequenitos é também uma mostra qualificada da arte escultórica e arquitetónica que, pela miniatura e pela minúcia, ainda hoje encantam crianças, jovens e adultos.












A sua construção desenvolveu-se em três etapas:A primeira fase, entre 1938 e 1940, é constituída pelo conjunto de casas regionais portuguesas: solares de Trás-os-Montes e Minho, casas típicas de cada região do país com pomares, hortas e jardins, capelas, azenhas e pelourinhos.
A segunda fase integra a chamada "área monumental", espaço ilustrativo dos monumentos mais representativos, de norte a sul do país.





A terceira fase, concluída em finais da década de 1950, engloba a representação monumental e etnográfica das então províncias ultramarinas em África, do Brasil, de Macau, do Estado Português da Índia e de Timor Português, cercados por exemplares da flora nativa destas regiões.

Compreende também as representações 
dos arquipélagos dos Açores e da Madeira.


























Quase todos o conhecem, mas se não for o caso, salta do sofá e vem daí numa visita guiada!



Não te irás arrepender! 


terça-feira, 19 de maio de 2020

DIA INTERNACIONAL DOS MONUMENTOS


#DiaInternacionaldosMonumentos🏛
​​​​​​​
​Assinala-se a 18 de abril o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios (DIMS), este ano subordinado ao tema Património Partilhado - Culturas partilhadas, património partilhado, responsabilidade partilhada.

​Atendendo às contingências provocadas pela COVID-19, e pelas limitações que esta situação está provocar em todo o mundo, a Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) mantém o convite a todas as instituições para que, ainda que em isolamento e separados fisicamente, possamos celebrar conjuntamente o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, em colaboração com o ICOMOS Portugal.

Em poucas semanas, o mundo mudou, mas o envolvimento para com as comunidades e a nossa herança comum permanece inalterado. E este é, realmente, um tempo de partilha, de resistir através da cultura, da união e da imaginação. O Património continua a afirmar-se como um factor de identidade, de esperança e de criação.

Assim, a proposta de comemoração é de visitas virtuais, exposições virtuais, apresentações, filmes e todo o tipo de iniciativas que possam ser divulgadas on-line.


sexta-feira, 1 de maio de 2020

Origens do Dia do Trabalhador

#Aconteceuhá...

134 anos!


Sabes que data se comemora no feriado de hoje? Hoje é o dia do Trabalhador, em memória de todos os que lutaram há 134 anos, por melhores condições de trabalho. A histórica greve ficou para a história como a greve dos “Três oitos”: oito horas de trabalho, oito de descanso e oito para formação. No dia 1º de Maio de 1886, 500 mil trabalhadores saíram às ruas de Chicago, nos Estados Unidos, em manifestação pacífica, exigindo a redução da jornada para oito horas de trabalho. A polícia reprimiu a manifestação, dispersando a concentração, depois de ferir e matar dezenas de operários.Mas os trabalhadores não se deixaram abater, todos achavam que eram demais as horas diárias de trabalho, por isso, no dia 5 de Maio de 1886, quatro dias depois da reivindicação de Chicago, os operários voltaram às ruas e foram novamente reprimidos: 8 líderes presos, 4 trabalhadores executados e 3 condenados a prisão perpétua.Foi este o resultado desta segunda manifestação.A luta não parou e a solidariedade internacional pressionou o governo americano a anular o falso julgamento e a elaborar novo júri, em 1888. Os membros que constituíam o júri reconheceram a inocência dos trabalhadores, culparam o Estado americano e ordenaram que soltassem os 3 presos.Em 1889 o Congresso Operário Internacional, reunido em Paris, decretou o 1º de Maio, como o Dia Internacional dos Trabalhadores, um dia de luto e de luta. E, em 1890, os trabalhadores americanos conquistaram a jornada de trabalho de oito horas.Nos Estados Unidos da América o Dia do Trabalhador celebra-se no dia 3 de Setembro e é conhecido por "Labor Day". É um feriado nacional que é sempre comemorado na primeira segunda-feira do mês de Setembro e está relacionado com o período das colheitas e com o fim do Verão.No Canadá este feriado chama-se "Dia de Oito Horas". Tem este nome porque se comemora a vitória da redução do dia de trabalho para oito horas.Na Europa o "Dia do Trabalhador" comemora-se sempre no dia 1 de Maio.

Queres saber mais sobre esta data?







segunda-feira, 27 de abril de 2020

MARÉS DE ESCRITA ✒️📖🖊



“Marés”...E eis o que nos aparece no dicionário sobre o termo:

1. Aumento periódico do volume das águas do oceano.
2. O fluxo e o refluxo dos acontecimentos humanos.
3. Razão.
4. Ocasião propícia.
5. Conjunto de circunstâncias num determinado momento
6. Boa disposição.
in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa 

E é isto que esta nova atividade pretende ser: um aumento da vontade de escrever, da necessidade de desabafar para o papel, o amigo sempre fiável, presente e que nunca desilude...
Como as marés, essa vontade, esse fluxo de inspiração nunca é igual ao anterior...umas vezes enorme, enche-nos a alma e por força tem que desaguar no papel...outras, mais tímido, mas não menos importante, procura o seu lugar entre os nichos da existência qual poça de água deixada para trás na maré vaza...
Escrever é e sempre será fruto de várias circunstâncias que podem ou não nos acontecer durante as nossas vidas, ao sabor da disposição do momento...
A tua Bib quer ser um dos motores de criação dessas circunstâncias, desses momentos que sabemos existir dentro de ti...apenas à espera da altura e disposições certas para se manifestarem! 
Assim o que te propomos, às segundas, quinzenalmente, é o seguinte: 
Uma imagem...uma história...e deixares a alma voar e a tinta correr!  
Depois, é só mandares-nos os teus trabalhos para: 
biblioteca.acristelo@gmail.com

Haverá prémios e publicação nos nossos sites! 
De que estás à espera para ser famoso/a?

sábado, 25 de abril de 2020

CANTAR A LIBERDADE

„TROVA DO VENTO QUE PASSA“
MANUEL ALEGRE

Pergunto ao vento que passa

notícias do meu país

e o vento cala a desgraça

o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam

tanto sonho à flor das águas

e os rios não me sossegam

levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas

ai rios do meu país

minha pátria à flor das águas

para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas

pede notícias e diz

ao trevo de quatro folhas

que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa

por que vai de olhos no chão.

Silêncio -- é tudo o que tem

quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos

direitos e ao céu voltados.

E a quem gosta de ter amos

vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada

ninguém diz nada de novo.

Vi minha pátria pregada

nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem

dos rios que vão pró mar

como quem ama a viagem

mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir

(minha pátria à flor das águas)

vi minha pátria florir

(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada

e fale pátria em teu nome.

Eu vi-te crucificada

nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada

só o silêncio persiste.

Vi minha pátria parada

à beira de um rio triste.A

Ninguém diz nada de novo

se notícias vou pedindo

nas mãos vazias do povo

vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro

dos homens do meu país.

Peço notícias ao vento

e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia

dentro da própria desgraça

há sempre alguém que semeia

canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste

em tempo de servidão

há sempre alguém que resiste

há sempre alguém que diz não.




Manuel Alegre escreveu, António Portugal musicou, Adriano cantou, fez-se poesia e fez-se história!

Este poema de Manuel Alegre simboliza a esperança pela Liberdade e foi cantado por  Adriano Correia de Oliveira. O cantor era um amigo do poeta e companheiro das lutas estudantis em Coimbra.
Anos antes, o convívio entre os dois possibilitou a criação de um  poema-cantiga que ficou na história da resistência à Ditadura. *Conta-se que numa noite, em plena Praça da República em Coimbra, Manuel Alegre exprimia a sua revolta:
«Mesmo na noite mais triste/ Em tempo de servidão/ Há sempre alguém que resiste/ Há sempre alguém que diz não».
E Adriano Correia de Oliveira disse «mesmo que não fiquem mais versos, esses versos vão durar para sempre». Ficaram. António Portugal compôs a música .  «E depois o poema surgiu naturalmente». Tinha nascido a Trova do vento que passa. Três dias depois vieram para Lisboa, para uma festa de recepção aos alunos na Faculdade de Medicina. Manuel Alegre fez um discurso emocionado, depois Adriano Correia de Oliveira cantou e quando acabou de cantar:
«foi um delírio, teve de repetir três ou quatro vezes, depois cantou o Zeca, depois cantaram os dois. Saímos todos para a rua a cantar. A Trova do vento que passa passou a ser um hino».





A CELESTE E A ORIGEM DOS CRAVOS



Sabes por que é que apareceram os cravos nas pontas das espingardas da Revolução de Abril? 


   Todos conhecem os cravos, poucos as mãos de onde saíram. A história mais divulgada sobre o aparecimento dos cravos no 25 de Abril foi protagonizada por Celeste Caeiro.
O cravo transformou-se num símbolo de Portugal para o mundo, a insígnia mais marcante do nosso país no século XX, juntando o regime fascista e a libertação revolucionária. Existem três versões sobre o aparecimento dos cravos no dia da Revolução, todas elas simultâneas, independentes e credíveis.
De acordo com a primeira, as flores surgiram devido a um casamento marcado para o dia 25 que não se pôde realizar por as conservatórias estarem fechadas. A segunda conta que uma empresa de exportação de flores tinha um carregamento de cravos para enviar para o estrangeiro, mas, com o aeroporto encerrado, as flores foram mandadas para o Rossio.
A terceira versão é a mais conhecida e apresenta-se com um rosto que conta a história na primeira pessoa. A protagonista é Celeste Martins Caeiro e tudo foi fruto de coincidências, de «acasos felizes», como ela diz.





A MADRUGADA DA MUDANÇA

#aconteceuhá...

Foi há 46 anos...
Na madrugada de 25 Abril de 1974, forças militares ocuparam pontos estratégicos em Lisboa e derrubaram a ditadura do Estado Novo, implantada também por militares em 1926.






  Os primeiros militares puseram-se em movimento pouco depois da meia-noite. Nas horas seguintes iriam ser tomadas posições em pontos estratégicos da capital portuguesa e quando amanheceu, o Estado Novo estava cercado. 
  Militares de vários ramos, ocuparam pontos estratégicos na capital portuguesa, com o objetivo de derrubar o regime do Estado Novo. Os sinais de código para dar o arranque das operações – canções de Paulo de Carvalho e Zeca Afonso – foram transmitidos através da rádio nas horas anteriores.
  A zona dos ministérios, órgãos de comunicação e outros locais considerados sensíveis foram subjugados pelos militares sublevados.
  A reação do regime foi lenta e ineficaz. O presidente do Conselho de Ministros, Marcelo Caetano, refugiou-se no Quartel do Carmo, de onde saiu sob escolta militar do capitão Salgueiro Maia, em direção ao exílio. Nas horas seguintes foi criada a Junta de Salvação Nacional.

Aprende mais sobre o assunto em: RTP ENSINA